terça-feira, 2 de outubro de 2007


Agora foi oficializado que o brasileiro estar mais interessado com a própria aparência do que com o que come. Essa indústria da beleza está massificando essa tendência, que encontra legitimação em inúmeras campanhas que estão travestidas de um ideal bárbaro de beleza. Aos que aderem a essa nova moda, desejo-lhes muita sorte, pois irão precisar, já os que como esse blogueiro que vos escreve, sempre anda à margem de tal processo, o melhor mesmo é assistir a toda essa comédia pastelona de camarote.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

CRÔNICA DA MULHER QUE BEBE E TIRA A ROUPA

Quem não tem na família ou no grupo de amigos uma mulher que bebe e tira a roupa atire o primeiro sutiã neste cronista.
É um clássico.
É uma das cenas mais lindas e chapantes da admirável e nada bucólica paisagem humana.
Porque não é nada simples, amigos.
Não é safadeza propriamente dita, não é aparecimento, não é um ato contra a moral e os bons costumes.
É o grau zero e máximo da beleza, meu caro Jommard Muniz de Brito.
Está mais para o sagrado, mas isso também é pouco, não explica direito.
É bonito, pronto, nada decifra, me devore como uma loba em pele de gata em teto de zinco quente.
É como se batesse um miserável calorzão da existência a pedisse o mais natural dos gestos de uma fêmea.
É como uma índia a caminho do afluente amazônico mais próximo.
Como Iracema a se banhar na gruta de Ubajara para refrescar-se e pensar um pouquinho na vida. Pense na falta de preocupação naquele tempo! Nem pensava que no futuro ia dar tanta dor de cabeça aos jovens nas questões vestibulandas alencarinas. “Me erra, não me interpreta”, cismaria a bela índia.
É agora, uma mulher que bebeu mais uma dose vai tirar a roupa. Porque a gente pressente, a terra gira mais avexada, o olho prescreve o belo episódio, blow up, depois daquele strip. Momento sublime movido a fome de viver e álcool.
E quando sobe na mesa é mais lindo ainda.
E a cara do marido tentando apagar aquele incêndio iluminado?
Um Deus nos acuda.
Quando a mulher tem filhos, só se ouve o sussurro do menino agoniado do juízo, no meio do burburinho, da confusão, do banzé: “Mãe é doida mesmo!”
Porque ver a mãe pelada no meio da festa dura para o resto da vida. Não tem divã nem macumba que curem mais o juízo. Mais mil anos de análise, como diz meu amigo Adão Iturrusgarai, agora habitante dos Buenos Aires.
Para quem não é filho ou marido é quase invisível, de tão sagrado, o corpo de uma mulher que tira a roupa na frente do mundo todo e de todo mundo.
E normalmente a mulher que tira a roupa é uma pudica, veste-se mais comportada do que Maria Antonieta.
É um longo e demorado strip-tease. Se brincar ainda usa combinações, anáguas,
Só sei que é lindo demais o tresloucado gesto. Tenho uma amiga que é duas cachaças, com umbu ou caju de tira-gosto, e uma peça de roupa que avoa longe lá no bar do Sargento do Pátio de São Pedro.
Os cafuçus ficam só na botica, na espreita, na tocaia grande, pense, meu caro Rodin, pense!
Melhor ainda é a mulher que tira a roupa cantando uma música cafona, como as lobas, deusas e ninfetas do livro de Thiago de Góes. “Esta noite, eu vou fazer de conta que sou livre. Eu vou viver a vida que ele vive, e depois eu posso até morrer”, canta a desalmada, um clássico de Diana, a mitológica.
Como é lindo uma mulher que bebe e tira a roupa em público, noves fora qualquer moralismo, como é lindo, e priu, e pronto!
Escrito por Xico Sá

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui...além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar?Esquecer?Indiferente!...
Prender ou desprender?É mal?É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...


Poema escrito por Florbela Espanca
Ser poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
é condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Poema escrito por Florbela Espanca
Eu ...


Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho,e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!

Poema de Florbela Espanca

sexta-feira, 21 de setembro de 2007


quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Seis meses da Morte de GERÔ


Algumas pessoas carregam um carisma que fazem com se tornem íntimas em poucos minutos. Em 2004, quando ainda estava no 1º- período do curso de Comunicação Social com habilitação em jornalismo da Faculdade São Luis, conheci o poeta GERÔ.
Essa oportunidade me foi dada por fazer parte do extinto projeto RODA CULTURAL, que tinha a proposta de trazer para um bate-papo, dentro da academia, personalidades envolvidas com o movimento cultural da cidade.
Esse projeto me deu a oportunidade de conhecer o hoje Secretário de Cultura do Estado do Maranhão, Joãozinho Ribeiro, que foi o primeiro a conversar com a comunidade acadêmica da Faculdade São Luis.
O segundo a nos brindar com o seu carisma foi o jornalista, roteirista e cineasta Cláudio Farias, que também é presidente da ONG Terra de Preto. Cláudio tinha muito a nos falar sobre cultura, já que é um ativista cultural, que sempre foi engajado em movimentos ligados à cultura afro-brasileira. Na ocasião, Cláudio estava editando o Filme QUILOMBOS MARANHENSES: CULTURA E POLÍTICA, que venceu o projeto DOCTV DE 2004, no Maranhão. Na ocasião o cineasta falou sobre sua militância no movimento afro-brasileiro e comentou sobre a temática que envolvia o documentário que estava editando. Ao final brindou todos os presentes com o trailer, em primeira mão, do documentário.
Um mês depois, quem sentava no meio da “roda”, era o fotógrafo Márcio Vasconcelos. Márcio mostrou suas fotos de várias manifestações culturais que documentou e conversou sobre fotografia e cultura.
Cesar Teixeira foi a quarta personalidade cultural a dar a sua contribuição ao projeto RODA CULTURAL. O jornalista, cantor e compositor comentou a sua trajetória como jornalista cultural em alguns diários da cidade, dando ênfase à censura imposta nas redações desses veículos. Porém, sempre bem humorado, ele comentou como conseguia driblar essa censura. Cesar também estava lançando o disco SHOPPING BRAZIL, que empiricamente acho um belíssimo disco.
Foi nessa ocasião que conheci o grande GERÔ, uma pessoa simples nos hábitos, mas grande em seus princípios e bondade. Mesmo sem conhecer o GERÔ com mais intimidade, tive essa impressão quando o vi na minha frente querendo me vender um livro de cordel. Comprei-o de imediato e aproveitei para puxar conversa com aquela figura carismática, que chegara ali ainda com o cheiro da última tomada em algum bar da lha dos amor. Quem conheceu o GERÔ na intimidade afirma que era uma pessoa muito boa de coração, amiga e sempre disposta a interceder em favor de um amigo, ou até mesmo de um desconhecido.
Não quero levantar polêmica e nem ficar aqui levantando causas para o que aconteceu com o nosso poeta, quando da sua morte. Para quem não sabe, GERÔ foi morto após ser preso e espancado por policiais militares, que em suas defesas afirmaram terem prendido o poeta por conta de uma denúncia de roubo de uma bolsa, que depois foi negada pela vítima, que afirmou ter falado para os policiais que não seria aquele rapaz (GERÔ) o responsável pelo delito.
Foram feitas mobilizações para cobrar uma maior investigação dos fatos e que fosse aplicada a lei aos culpados pela barbárie. O caso, à vezes, parece ter caído no esquecimento, muito por culpa de todos nós, digo todos, toda a população maranhense, que não cobrou de forma mais fervorosa e por mais tempo a culpabilidade dos envolvidos na morte do poeta.
Mas, eis que surge uma luz no fim do túnel. Dia 22 de setembro (sábado), serão lembrados os seis meses do assassinato de GERÔ. O manifesto vai acontecer na Praça Mururu (Coroado), em frente à Rádio Comunitária Conquista. Na ocasião será lançado o Cordel “AS PERIPÉCIAS DE GERÔ ENTRE O PURGATÓRIO E O CÉU”, que terá distribuição gratuita para os presentes. O acontecimento também contará com a presença de artistas e cantores locais. Então convoco todos a participar desse ato contra a violência e a impunidade.